Você não é throttled pelo que está rodando agora. Você é throttled pela dívida de CU que acumulou nas últimas 24 horas — e é por isso que a capacidade trava numa terça de manhã sem nada de anormal na tela.
Throttling é o mecanismo que a capacidade usa para te obrigar a pagar a conta de CU que você já gastou. Quando o consumo projetado da sua capacidade passa do que a SKU entrega, o Fabric não desliga nada: ele começa a atrasar e depois a rejeitar requisições até que o excedente seja quitado.
Essa distinção é a coisa mais importante do artigo. Um relatório lento pode ser DAX ruim, modelo mal desenhado, DirectQuery mal pensado. Throttling é diferente: todos os relatórios da capacidade ficam lentos ao mesmo tempo, incluindo os que sempre foram rápidos. Se apenas um relatório está ruim, não é throttling. Se a capacidade inteira está ruim ao mesmo tempo, provavelmente é.
Abra dois relatórios de workspaces diferentes na mesma capacidade. Se os dois demoram de forma parecida e o Capacity Metrics mostra Add % acima de 100 no timepoint, você está em throttling — pare de otimizar DAX e vá para a seção 5.
O Fabric não cobra picos instantâneos. Ele distribui o consumo de cada operação ao longo do tempo — smoothing — e essa distribuição depende do tipo de operação:
A consequência prática é brutal: o refresh gigante das 2h da manhã não aparece no gráfico como um pico às 2h. Ele aparece como um platô que se arrasta pelas 24 horas seguintes — inclusive às 9h04, quando os 300 usuários chegam. O throttling da manhã foi criado de madrugada.
Bursting é o oposto do smoothing: a capacidade permite que uma operação consuma, por instantes, mais CU do que a SKU nominal oferece. Uma F8 pode entregar muito mais que 8 CU para um refresh terminar rápido. O tempo de execução cai — o custo, não. O excedente vira carry forward: uma dívida que a capacidade vai amortizar (burndown) nos timepoints seguintes.
Enquanto a soma de dívida projetada cabe em menos de 10 minutos de capacidade futura, nada acontece. É exatamente para isso que o bursting existe. Acima disso, começa a escada.
A escada é definida pelo consumo futuro — quanto tempo de capacidade sua dívida já reservou adiante:
| Consumo futuro acumulado | Estágio | O que o Fabric faz | O que o usuário sente |
|---|---|---|---|
| Até 10 min | Bursting protegido | Absorve o pico, sem penalidade | Nada |
| 10 min a 60 min | Interactive Delay | Adiciona ~20 s a cada requisição interativa | “O Power BI está lentíssimo hoje” |
| 60 min a 24 h | Interactive Rejection | Rejeita requisições interativas; jobs background seguem | Erro ao abrir relatório; refresh ainda roda |
| Acima de 24 h | Background Rejection | Rejeita tudo, inclusive refresh e pipelines | Plataforma parada |
Opinião: o estágio mais perigoso é o primeiro. Interactive Delay não gera ticket, gera desconfiança. As pessoas param de usar o relatório e ninguém abre incidente.
Um detalhe que quase ninguém explica: os percentuais de throttling do Capacity Metrics são razões, não “gravidade”. Um Interactive Delay de 250% significa que o Fabric está tentando encaixar 25 minutos de consumo nos próximos 10 minutos. Um Background Rejection de 250% significa 2,5 vezes o orçamento diário da SKU — nesse ponto, a conta leva cerca de 36 horas para voltar a 100%.
O Microsoft Fabric Capacity Metrics App responde a essa pergunta em quatro passos. Faça sempre nesta ordem:
Se você precisa dos dados fora do app — para um painel próprio ou um alerta — a lista de capacidades e seu estado vêm da API do Fabric:
GET https://api.fabric.microsoft.com/v1/capacities
Authorization: Bearer <token>
# resposta (recortada)
{ "value": [
{ "id": "a1b2c3d4-...", "displayName": "cap-prod-br", "sku": "F8", "state": "Active" },
{ "id": "e5f6a7b8-...", "displayName": "cap-dev-br", "sku": "F2", "state": "Paused" }
] }
O Capacity Metrics guarda um histórico curto (dias, não meses) e é um relatório de análise, não de alerta. Para comparar o mês passado com este, ou para ser avisado antes do usuário reclamar, você precisa persistir esses dados em outro lugar.
Em ordem de retorno sobre esforço:
Não. Nesse estágio as operações background continuam rodando; só o interativo é rejeitado. Refresh só para no Background Rejection.
Até a dívida ser amortizada. Se o cumulativo está caindo, é questão de horas. Se está estável ou subindo, você tem um problema estrutural que não passa sozinho.
Nas SKUs F o modelo é outro: bursting e smoothing absorvem picos, e surge protection limita o background. Escala é operação manual (ou automatizada por você via API).
Aguenta cenários pequenos e bem comportados: modelo enxuto, poucos usuários simultâneos, refresh incremental. Não aguenta um lakehouse com jobs Spark e relatório corporativo ao mesmo tempo.
O sintoma aparece como erro/latência nas requisições e o estado aparece no Capacity Metrics. Não existe um “evento de throttling” bonitinho para alertar — daí a necessidade de monitoramento próprio.
Histórico de CU além dos dias do Capacity Metrics, consumo por item e workspace, e alerta quando a dívida projetada cruza o primeiro limite — antes do usuário sentir os 20 segundos.
A ordem de leitura das abas e as perguntas que o app responde bem.
Sete mudanças em ordem de retorno. Nenhuma delas é trocar de SKU.
Onde cada SKU quebra: usuários, tamanho de modelo, janela de refresh.
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