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O que é throttling no Microsoft Fabric

Você não é throttled pelo que está rodando agora. Você é throttled pela dívida de CU que acumulou nas últimas 24 horas — e é por isso que a capacidade trava numa terça de manhã sem nada de anormal na tela.

Equipe FabricMetrics·Publicado 12 mar 2026·Atualizado 24 jul 2026·11 min de leitura

1. Throttling não é lentidão — é cobrança

Throttling é o mecanismo que a capacidade usa para te obrigar a pagar a conta de CU que você já gastou. Quando o consumo projetado da sua capacidade passa do que a SKU entrega, o Fabric não desliga nada: ele começa a atrasar e depois a rejeitar requisições até que o excedente seja quitado.

Essa distinção é a coisa mais importante do artigo. Um relatório lento pode ser DAX ruim, modelo mal desenhado, DirectQuery mal pensado. Throttling é diferente: todos os relatórios da capacidade ficam lentos ao mesmo tempo, incluindo os que sempre foram rápidos. Se apenas um relatório está ruim, não é throttling. Se a capacidade inteira está ruim ao mesmo tempo, provavelmente é.

Teste de 30 segundos

Abra dois relatórios de workspaces diferentes na mesma capacidade. Se os dois demoram de forma parecida e o Capacity Metrics mostra Add % acima de 100 no timepoint, você está em throttling — pare de otimizar DAX e vá para a seção 5.

2. Smoothing: por que o consumo de agora não é o consumo de agora

O Fabric não cobra picos instantâneos. Ele distribui o consumo de cada operação ao longo do tempo — smoothing — e essa distribuição depende do tipo de operação:

  • Interativas (abrir relatório, filtrar visual, consulta DAX vinda do usuário): suavizadas ao longo de 5 minutos.
  • Background (refresh de semantic model, Dataflow Gen2, pipeline, notebook, job Spark): suavizadas ao longo de 24 horas.

A consequência prática é brutal: o refresh gigante das 2h da manhã não aparece no gráfico como um pico às 2h. Ele aparece como um platô que se arrasta pelas 24 horas seguintes — inclusive às 9h04, quando os 300 usuários chegam. O throttling da manhã foi criado de madrugada.

O QUE VOCÊ EXECUTOU Refresh full · 02h00 · 1 pico de 40 min 00h 12h 24h O QUE A CAPACIDADE COBRA (SUAVIZADO EM 24 H) pico interativo 09h limite da SKU 02h — o platô começa aqui e só termina 24 h depois
O refresh de madrugada não é um pico: é o piso do consumo do dia seguinte. Quando o uso interativo se soma a esse piso, o limite da SKU é cruzado.

3. Bursting e a dívida de CU

Bursting é o oposto do smoothing: a capacidade permite que uma operação consuma, por instantes, mais CU do que a SKU nominal oferece. Uma F8 pode entregar muito mais que 8 CU para um refresh terminar rápido. O tempo de execução cai — o custo, não. O excedente vira carry forward: uma dívida que a capacidade vai amortizar (burndown) nos timepoints seguintes.

Enquanto a soma de dívida projetada cabe em menos de 10 minutos de capacidade futura, nada acontece. É exatamente para isso que o bursting existe. Acima disso, começa a escada.

4. Os três estágios do throttling

A escada é definida pelo consumo futuro — quanto tempo de capacidade sua dívida já reservou adiante:

Consumo futuro acumuladoEstágioO que o Fabric fazO que o usuário sente
Até 10 minBursting protegidoAbsorve o pico, sem penalidadeNada
10 min a 60 minInteractive DelayAdiciona ~20 s a cada requisição interativa“O Power BI está lentíssimo hoje”
60 min a 24 hInteractive RejectionRejeita requisições interativas; jobs background seguemErro ao abrir relatório; refresh ainda roda
Acima de 24 hBackground RejectionRejeita tudo, inclusive refresh e pipelinesPlataforma parada

Opinião: o estágio mais perigoso é o primeiro. Interactive Delay não gera ticket, gera desconfiança. As pessoas param de usar o relatório e ninguém abre incidente.

CONSUMO FUTURO ACUMULADO → Bursting até 10 min · sem penalidade Interactive Delay +20 s por requisição 10 – 60 min Interactive Rejection relatórios param background segue 60 min – 24 h Background Rejection tudo rejeitado, inclusive refresh acima de 24 h
Cada degrau é acionado pelo tempo de capacidade futura já comprometido — não pela carga instantânea. E a escada só desce quando a dívida é amortizada.

Um detalhe que quase ninguém explica: os percentuais de throttling do Capacity Metrics são razões, não “gravidade”. Um Interactive Delay de 250% significa que o Fabric está tentando encaixar 25 minutos de consumo nos próximos 10 minutos. Um Background Rejection de 250% significa 2,5 vezes o orçamento diário da SKU — nesse ponto, a conta leva cerca de 36 horas para voltar a 100%.

5. Como confirmar throttling no Capacity Metrics

O Microsoft Fabric Capacity Metrics App responde a essa pergunta em quatro passos. Faça sempre nesta ordem:

  1. System overview / Compute: encontre o timepoint em que o CU% passou de 100. Anote o horário exato.
  2. Aba de throttling: confirme qual estágio estava ativo naquele intervalo (delay, rejeição interativa, rejeição background).
  3. Overages / carry forward: leia Add % (dívida adicionada), Burndown % (dívida paga) e Cumulative %. Se o cumulativo cresce por horas, o problema é estrutural, não um pico.
  4. Timepoint detail: clique no timepoint e ordene as operações por CU(s). Aqui aparece o culpado — quase sempre uma operação background que começou horas antes.
Timepoint detail: a tabela de operações background ordenada por CU(s) é onde o diagnóstico termina.

Se você precisa dos dados fora do app — para um painel próprio ou um alerta — a lista de capacidades e seu estado vêm da API do Fabric:

GET https://api.fabric.microsoft.com/v1/capacities
Authorization: Bearer <token>

# resposta (recortada)
{ "value": [
    { "id": "a1b2c3d4-...", "displayName": "cap-prod-br", "sku": "F8", "state": "Active" },
    { "id": "e5f6a7b8-...", "displayName": "cap-dev-br",  "sku": "F2", "state": "Paused" }
] }
Limite conhecido

O Capacity Metrics guarda um histórico curto (dias, não meses) e é um relatório de análise, não de alerta. Para comparar o mês passado com este, ou para ser avisado antes do usuário reclamar, você precisa persistir esses dados em outro lugar.

6. As cinco causas que respondem por quase todo throttling que já vimos

  1. Refresh full de modelo grande no horário errado. Modelo import de dezenas de GB recarregado inteiro toda madrugada. Resolve-se com refresh incremental, não com SKU maior.
  2. Dataflow Gen2 com staging ligado sem necessidade. Cada staging escreve e lê de novo. É a fonte de CU invisível mais comum que encontramos.
  3. Dev, teste e produção na mesma capacidade. Um notebook experimental de um analista derruba o relatório do diretor. Separar capacidades é governança, não luxo.
  4. DirectQuery/DirectLake em relatório de alto tráfego sem agregação. Cada filtro do usuário é uma consulta no engine. Multiplique por 200 pessoas.
  5. Jobs Spark concorrendo com a janela de refresh. Dois consumidores pesados na mesma hora somam dívida que nenhum dos dois criaria sozinho.

7. Playbook das próximas 24 horas

Em ordem de retorno sobre esforço:

  • Mover as operações background pesadas para fora da janela em que o consumo suavizado encosta no pico de uso interativo.
  • Ligar refresh incremental nos dois ou três modelos que dominam a lista de CU(s).
  • Desligar staging nos Dataflows Gen2 que não precisam dele.
  • Ativar surge protection para impedir que jobs background estourem a capacidade e derrubem o interativo.
  • Só então avaliar SKU maior — com o número na mão, não com a sensação.

8. O que não fazer

  • Pausar a capacidade para “zerar” a dívida. Pausar liquida o carry forward imediatamente — e cobra. É uma decisão financeira, não um reset.
  • Escalar por pânico. Dobrar a SKU sem corrigir a causa dobra o custo e adia o mesmo problema por alguns meses.
  • Culpar o autor do relatório antes de abrir o timepoint. Em nove de dez casos, o relatório era a vítima.

Perguntas frequentes

Interactive Rejection para meus refreshes agendados?

Não. Nesse estágio as operações background continuam rodando; só o interativo é rejeitado. Refresh só para no Background Rejection.

Quanto tempo o throttling dura?

Até a dívida ser amortizada. Se o cumulativo está caindo, é questão de horas. Se está estável ou subindo, você tem um problema estrutural que não passa sozinho.

Existe autoscale como no Premium P?

Nas SKUs F o modelo é outro: bursting e smoothing absorvem picos, e surge protection limita o background. Escala é operação manual (ou automatizada por você via API).

Uma F2 aguenta produção?

Aguenta cenários pequenos e bem comportados: modelo enxuto, poucos usuários simultâneos, refresh incremental. Não aguenta um lakehouse com jobs Spark e relatório corporativo ao mesmo tempo.

Throttling aparece em algum log?

O sintoma aparece como erro/latência nas requisições e o estado aparece no Capacity Metrics. Não existe um “evento de throttling” bonitinho para alertar — daí a necessidade de monitoramento próprio.

Quer monitorar tudo isso automaticamente?

Conheça o FabricBoard.

Histórico de CU além dos dias do Capacity Metrics, consumo por item e workspace, e alerta quando a dívida projetada cruza o primeiro limite — antes do usuário sentir os 20 segundos.

Ver o FabricBoard → Entrega relatórios para clientes? Power BI Embed →

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